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sábado, 4 de outubro de 2008

Recordando e divagando mais um pouco...

Já lá vai o tempo em que se festejava por tudo e por nada com os colegas de trabalho e com os amigos. Porque o A fazia anos, porque o B ia ser pai, porque o C tinha sido promovido, porque o D pensou organizar um lanche, um lanche por "dá cá aquela palha", tudo era motivo para o fazer, a malta queria era reunir e passar um tempinho agradável.
"-Eh pá, e se fossemos hoje todos lanchar à tasquinha na viela dos Congregados, ou, talvez o presunto no Louro? Eh pá havemos de marcar um dia, e vamos todos à "Badalhoca"(o nome choca um pouco mas é assim que é conhecida, come-se bem e é bastante frequentado), como fica em Ramalde, temos de ir com mais tempo e até levamos as mulheres, havemos de combinar isso. Fala aí ao Manel e ao João, ao Zé e ao Careca, o Tino também, que a gente assina um papel para ele levar à mulher (a dita cuja justificação, era habitual brincar com isso)....e o Zeca é bem capaz de também ir, não era má ideia.... até sou capaz de nem jantar hoje, vou aproveitar e trinco umas pataniscas ou uns rojõezitos, tem lá também umas moelitas espectaculares. E um verdinho fresquinho na malga, que maravilha, com um presuntinho e broa a acompanhar. Está combinado? Bora nisso!"
Tudo isto era banal e normal,, era muito frequente este tipo de diálogos e até nem passaram tantos anos. Uns 20 anitos, talvez. E o pessoal saía satisfeito, cavaqueava-se um pouco. uma anedota ou outra para dar um ambiente descontraido e lá ia o pessoal para suas casas já muito mais relaxado e aviado. Isto passava-se muitas vezes após um dia de labuta. Era saudável e convivia-se um pouco, colocavam-se de lado os problemas de um dia de trabalho, e tratava-se da barriguita em alegre cavaqueira. Claro que o tema inicial da conversa, quase sempre fazia referência a situações passadas no serviço, onde não se perdia a oportunidade de gozar com o ridiculo das questões, de fazer chalaça, de por o nome nos bois (chefes, afins e afilhados)...e gozava-se, brincava-se, fazia-se "corte e cose", anedotava-se, cavaqueava-se de tudo um pouco, do desporto à politica, passando pelo tema mulherio, sempre presente nestas ocasiões e frequentemente num tom jocoso. Passava-se um tempinho agradável. Claro que fazer isto todos os dias era dificil, mas era rara a semana ou o mês, em que não houvesse um diazito de descontracção, durante um par de horas após o horário laboral. Não convinha entrar em exageros, até para que a coisa se fizesse de modo agradável. Nem tão pouco se prejudicava o convivio familiar, tinhamos sempre de fazer um pré-aviso de ausência, e quantas vezes era ver também a presença feminina connosco, não era tão frequente mas uma vez por outra isso acontecia. Mas a ideia era até algum convivio entre homens, sempre se podia soltar umas "carvalhadas" com mais facilidade, não esquecendo as anedotas mais brejeiras. Nessa época não se tragavam francesinhas durante o dia, era "crime" fazê-lo, francesinha era para ser comida a partir da meia-noite, após uma sessãozita de cinema, ou de uma passeata à beira-mar, com a cara-metade e/ou casais e/ou amigos. Ia-se manjar qualquer coisa e ficava-se até tarde em conversa animada, sempre com a companhia de uma deliciosa "loira" bem fresquinha, como um "fino", "principe" ou até mesmo uma canequinha de cervejola, até porque era necessário para amaciar e lubrificar um pouco, as gargantas secas e ardentes do picante dos molhos das ditas cujas francesinhas ou outros aperitivos de ocasião, (diga-se a propósito qua a "francesinha" não era acompanhada da usual batata frita dos tempos d`agora).
Pois, tenho saudades claro, não o nego, mas para quem viveu isso é uma saudade que não me entristece, é um recordar diferente, é dificil explicar mas tenho um sentimento muito agradável quando penso em tudo isto, simplesmente porque também tive essa vivência. Não é um sentimento triste, é algo de bom que me dá prazer recordar. Triste é pensar que tudo mudou, esse é o unico sentimento negativo que me invade, quanto ao resto sinto felicidade por ter podido partilhar alguns desses momentos.
Bom, mas agora os tempos são outros, vive-se de maneira diferente, por outro lado também o dinheiro já não cresce tanto, antes pelo contrário. Os meses são mais pequenos, o dinheiro do vencimento esfuma-se mal se recebe, ou pouco mais que isso. É complicado. Mas tirando estes "problemazitos" económicos que estão a afectar as famílias, e que ajudam ao "não convivio", penso que houve uma grande mudança no pessoal e na sua forma de estar. É fácil por vezes dar a desculpa por via da situação atrás referida. As pessoas não convivem tanto porque não querem ou não fazem por isso (eu próprio reconheço que também tenho algumas culpas no cartório). Há sempre formas de tornear as dificuldades, em troca de um par de horas de descontracção e alegre cavaqueira. Basta querer, e querer é poder.
Mais uma vez dou por mim a divagar, é assim que gosto de blogar. São textos muito extensos, mas gosto de colocar e escrever o que me vem ao pensamento, e depois dá nisto, quando reparo já escrevi demasiado e tenho de parar porque ficaria horas. Não é que me preocupe muito esse facto, preciso de o fazer e a opção foi o blog. E se alguém me ler, se tiver coragem para isso, dou-lhe os meus parabéns, porque é preciso paciência para aturar aqui o "JE" e os seus escritos, pensamentos e recordações.
Fico-me por aqui, bjinhos e abraços (isto se alguém me ler, mas por uma questão de boa educação, não podia deixar de o fazer)
(fish)

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