Pesquisar neste blogue

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Apetece-me divagar....

Pois é isso mesmo, apetece-me divagar um pouco.
Como habitualmente faço diáriamente, chego a casa e mais minuto menos minuto, venho até ao meu PC para dar uma olhadela nos mails e navegar um pouco sem destino pré-concebido. Dou uma olhadela pelas notícias da imprensa, consulto um site ou outro, vejo os mails, ou quando é o caso, venho ao meu blog para postar algo que me vai no pensamento. É uma rotina a que me habituei nos últimos meses. Acontece imensas vezes que estou aqui, mas é como se estivesse longe, como se aproveitasse estes momentos para fazer retrospecções diversas, pôr as ideias em ordem, estabelecer planos, reflectir. É o meu momento de sossego após o dia de labuta, é a fase do dia em que posso parar um pouco para pensar. Há quem o faça de outra forma indo até ao silêncio de uma igreja, local fantástico para se ordenar os neurónios, outros farão caminhadas longas para descomprimir. Sinto-me priveligiado por conseguir ter algum tempo para o fazer, mas há quem não o consiga. Muitos devido à sua luta diária constante, nem lhes é permitido pensar, de tão ocupados que andam na tentativa milagrosa de poderem sobreviver ao dia-a-dia cruel de uma vida de trabalho sem objectivos, outros por muito tempo que disponham, não o sabem aproveitar de tão ocupados que andam, porque abraçaram uma vida fútil em que os bens materiais são o mais importante, sendo a ganância (e ganância não é só o dinheiro, apesar de estar intimamente ligada), uma virtude a que dão bastante relevância. Estes últimos, colocam os valores que deveriam reger a vida de qualquer ser humano que se preze, nos últimos lugares da sua tabela de prioridades, pelo que aparentam felicidade, chegando mesmo a ser invejadas por quem as rodeia, e raramente (se questionadas antes do ultimo suspiro), dirão que tiveram uma vida feliz. Conheço um ou outro caso que corrobora aquilo que atrás mencionei.
Lembro-me de há alguns anos atrás, ser frequente qualquer colega que se reformasse, ter uma despedida digna, e que era ao mesmo tempo uma homenagem à pessoa pelo seu companheirismo e pelo esforço dedicado de uma vida de trabalho. Normalmente havia grande afluência neste tipo de homenagem, as pessoas compareciam e convivia-se bastante, dando ao homenageado um sinal de que tinha sido importante a sua colaboração como colega e amigo, enquanto pessoa activa, aproveitando-se ao mesmo tempo para dar algum alento para um novo ciclo da vida e expressar alguma gratidão. Esta situação era muito frequente e deveras importante. Hoje em dia é diferente, há muita frieza e pouco de gratidão, cada qual vive para si e nada mais importa. Sai-se hoje da vida activa como se nada tivesse passado, dá-se um aperto de mão, um adeus e pouco mais. Isto é cruel, é um exemplo da sociedade dos nossos dias. Estou a aprender a viver com isto, estou a tentar, mas é impossível, não chego lá, não consigo alcançar esta forma de estar. Como disse no inicio, apetece-me divagar, ou mais correctamente, escrever um pouco, como se de um desabafo se tratasse, sem ter um tema definido, apenas ir escrevendo o que me vem ao pensamento. Fi-lo, mas vou parar por aqui, a ideia era divagar, não foi muito, mas foi o suficiente para me sentir melhor. Reparo que já escrevi muito, o que na óptica de alguns bloguistas da nossa praça, não é de bom tom. Segundo tenho lido, não se deve fazer textos longos porque aborrece quem os lê. Na minha concepção só se aplica essa teoria quando há objectivos que não são os que defendo. Não criei o blog com intuitos de bater recordes de audiência, criei-o para me sentir bem no que faço. Ninguém é obrigado a lê-lo, este é o meu canto.
Uma boa noite
(fish)

1 comentário:

Anónimo disse...

Pode ter sido um momento de divagação mas...gostei do que li.
Hoje os valores de outrora estão invertidos.
As pessoas ocupam-se demasiado consigo e, nem uns minutos dedicam aos colegas mais próximos.
Mas, quando a vida lhes presenteia com solidão, doenças ou outros males lastimam o facto de terem poucos amigos.
Entristece-me a falta de sensibilidade, a solidadrieade e a dignidade que não fazem parte da linguagem e dos actos de muitos.
O interessante é que os não sinto mais felizes e realizados...
Alonguei-me...sorry!!
Não deve ser de bom tom, será??